O efeito da caneta passa? Como manter o peso depois?

Você já sentiu aquela euforia de finalmente ver o ponteiro da balança descer rápido, como se tivesse encontrado a chave mágica que faltava? As novas medicações injetáveis, as famosas “canetas”, trouxeram uma esperança real para muita gente que luta contra o peso há anos. É um alívio ver o apetite silenciar. Mas, no fundo, sempre surge aquele friozinho na barriga: “E quando eu parar? Vou conseguir segurar esse resultado sozinha?”.

A verdade nua e crua é que a medicação cuida do receptor no cérebro e do esvaziamento do estômago, mas ela não ensina a gente a lidar com a ansiedade de um dia difícil no trabalho ou com aquela vontade de “se recompensar” com comida à noite. O remédio silencia a fome física, mas a fome emocional continua lá, esperando o efeito da dose passar para dar as caras novamente.

Estudos recentes, como os publicados na revista Diabetes, Obesity and Metabolism, mostram um cenário que precisamos encarar de frente: um ano após a interrupção de tratamentos com semaglutida, muitos pacientes recuperaram cerca de dois terços do peso perdido. Em dois anos, o efeito rebote pode ser ainda mais cruel, levando a pessoa de volta ao peso inicial ou até ultrapassando-o. É o famoso efeito sanfona, só que agora com um custo financeiro e emocional bem mais alto.

Por que isso acontece? Porque o corpo tem memória e a nossa mente tem hábitos enraizados. Se a gente não aproveitar a “janela de oportunidade” que a medicação abre para reeducar o olhar sobre a comida, o comportamento antigo volta com força total assim que o suporte químico sai de cena. Sem uma mudança na estrutura do pensamento, a caneta vira apenas um “curativo” caro para uma ferida que exige um cuidado mais profundo.

É aqui que a psicologia entra, não como um acessório, mas como o alicerce. Mudar o comportamento alimentar não é só “ter força de vontade” — quem dera fosse fácil assim! É entender quais gatilhos fazem você buscar o conforto no prato. Na terapia, a gente trabalha para que a perda de peso não seja algo que “aconteceu com você” por causa de um remédio, mas algo que você construiu através de novas escolhas e do autoconhecimento.

Imagine usar esse tempo de tratamento para aprender a diferenciar a fome real da vontade de comer por estresse. Imagine desenvolver estratégias para lidar com a frustração que não envolvam abrir a geladeira. Esse é o verdadeiro seguro contra o reganho de peso. A medicação ajuda a perder, mas é a sua mente que te ajuda a manter.

Não se trata de ser contra o uso das canetas — elas são ferramentas médicas incríveis. O ponto é não deixar que elas sejam sua única estratégia. Sem investir no seu “eu” interior, o risco de se tornar dependente de uma substância para se sentir bem com o espelho é enorme. E convenhamos, você merece uma liberdade que não dependa de uma aplicação semanal para o resto da vida.

Mudar dói, mas ver todo o esforço (e dinheiro) ir embora em poucos meses dói muito mais. Se você está usando ou pensa em usar essas medicações, aproveite esse momento para fortalecer o seu psicológico. É a sua cabeça que vai comandar o seu corpo quando a caneta acabar. Vamos construir uma base sólida para que esse novo peso seja, enfim, definitivo?

Se você se identificou com esse medo do futuro ou sente que sua relação com a comida vai além da fome, a terapia pode ser o diferencial para o seu sucesso a longo prazo. Agende uma consulta e vamos trabalhar juntos nessa mudança real e duradoura.

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