Adolescência e isolamento: Quando o comportamento do seu filho deve preocupar?

Você já sentiu aquele aperto no peito ao passar pela porta do quarto do seu filho e vê-la trancada, mais uma vez? Ou aquela sensação de que vocês moram na mesma casa, mas ele parece estar vivendo em outro planeta, distante e inacessível? Se você tem um adolescente em casa, é bem provável que já tenha se perguntado onde foi parar aquela criança que corria para te contar tudo.

A adolescência é essa fase meio turbulenta mesmo, uma montanha-russa de emoções onde o quarto vira um santuário. É natural que eles queiram mais privacidade, que prefiram ficar ouvindo música ou jogando online do que sentar na sala para ver TV com a família. É a forma deles de começarem a entender quem são, separados dos pais. Até aí, tudo bem, faz parte do crescimento.

Mas a dúvida que tira o sono de muitos pais é: até onde isso é “coisa da idade” e quando vira um sinal de alerta? A linha pode ser tênue. O problema não é necessariamente o isolamento em si, mas o que vem acompanhado dele.

Se o seu filho, além de se fechar no quarto, parou de fazer coisas que antes adorava, como o futebol de sábado ou o curso de desenho, acenda a luz amarela. Outro ponto de atenção é a mudança brusca de humor. Não aquela irritação típica de quem foi mandado arrumar a cama, mas uma tristeza constante, uma apatia ou explosões de raiva desproporcionais.

Preste atenção também nas necessidades básicas. Ele está dormindo demais ou de menos? A alimentação mudou radicalmente? Às vezes, o corpo fala o que a boca cala. O isolamento preocupante geralmente vem de mãos dadas com uma queda no rendimento escolar ou um afastamento total dos amigos, não só da família.

Muitos pais, na tentativa de ajudar, acabam invadindo o espaço ou cobrando presença de uma forma rígida. “Você tem que sair desse quarto!”, a gente fala, né? Mas, muitas vezes, o que eles precisam é saber que a porta está aberta para eles saírem quando quiserem, e que você estará lá, sem julgamentos.

Estabelecer limites é fundamental, claro. Não dá para virar a noite no videogame dia de semana. Mas o acolhimento precisa vir antes da regra. Tente se aproximar pelos interesses dele. Pergunte sobre o jogo, sobre a série, sem criticar. Crie “pontes” em vez de muros.

Se você perceber que o isolamento está impedindo seu filho de viver a vida, de se relacionar ou de se sentir bem, não tenha medo de buscar apoio. Não é falha sua como pai ou mãe, e nem “frescura” dele. É saúde.

Conversar sobre isso pode ser difícil, e às vezes a gente não sabe nem por onde começar. Um olhar de fora, profissional, pode ajudar a destrancar não só a porta do quarto, mas também os sentimentos que estão guardados lá dentro.

Se você se identificou com esses sinais e sente que a comunicação em casa está travada, a terapia pode ajudar a reconstruir essa ponte. Agende uma conversa.

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